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In Cotidiano Feminismo

Abaixo o Manual da mulher "enquadrada"


Como é triste ver outras mulheres desqualificarem o trabalho de outras mulheres por motivos tão irrelevantes como: achismos, roupa, maquiagem, estilo, personalidade. Aliás, a personalidade deveria ser o que mais valida a atitude profissional de alguém. 
No mundo em que a maioria das pessoas quer apenas levar adiante objetivos, planos e deixar sua essência reprimida ou mascarada, é triste ver que a desqualificação mínima que seja tenha a ver com uma mulher que tem atitude.
Ué, um homem de atitude é bonito e uma mulher de atitude é...rude? Óbvio que existem inúmeras formas de mostrar atitude mas qual a importância de classificar isso, diante de uma mulher que sabe o foco que quer atingir?
Repense, antes de achar que a mulher tem sempre que agir com a tal "polidez". Isso é cansativo. Precisamos validar a atitude, personalidade de mulheres fortes, sim.

Por Camila K. Ferreira 

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In Cotidiano Feminismo

Mas péra lá, é paquera ou é assédio?


Eu escrevo muito sobre feminismo. E escrevo porque falo e estou sempre refletindo sobre as situações da vida que a gente passa e que outras mulheres passam. É assim que acontece, depois que a gente desperta a mente, os ouvidos, os olhos, os sentidos, é que a gente descobre que devia ter reagido a muitas situações que passamos e vimos passar e que nem tudo é brincadeirinha e nem sempre é sem querer.

Mas, depois que eu escrevi aquele último texto aqui no blog, sobre o discurso da Oprah no Globo de Ouro e sobre aqueles comentários e as piadinhas sexistas que a gente sempre ouve, eu fiquei pensando se eu tinha exagerado. Porque, quem nunca riu de uma piadinha de pocharia? Quem nunca ouviu um “ê lá em casa” e até curtiu? Aí me perguntei: mas um “ê lá em casa” é assédio ou é uma cantada? Uma cantada de mal gosto e chula pode se transformar num assédio?

Aí, mais uma vez, depois de refletir um pouco, a ficha caiu e minhas dúvidas foram sanadas. Então vamos lá, vamos esclarecer esses pontos.

Direto e reto: a diferença entre assédio e cantada está no CONSENTIMENTO. Se você está numa festa de carnaval, por exemplo, e um cara chega em você pedindo um beijo, com uma cantada bem escrota do tipo “ei gostosa, vamo dar uns pega?” e você diz “ah, num tô fazendo nada, bora lá”, isso não é assédio! É uma cantada, é só uma paquera, porque teve o seu consentimento.

Agora, se o cara chega com a mesma cantada e você diz “não amigo, muito obrigada”, e o cara insiste com um “ah coé? Eu vi você beijando vários caras já, vamo dar uns amasso...” e você insiste que não quer, aí o cara insiste que quer e te xinga ou te puxa à força, aí sim é assédio. Aqui não houve o seu consentimento, você demonstrou a sua recusa, disse claramente que não. Entendeu?

Tudo depende do bom senso de cada um  e do limite de tolerância que cada um tem. Mas fato é: se alguém te abordar de qualquer forma, desde que não haja violência física, e você demonstrar não gostar da abordagem, deixar claro que não quer, e a pessoa te deixar em paz, não há assédio, nem abuso. Talvez uma ofensa a sua honra, ou a sua moral, ou aos seus princípios, mas aí já é outra história.

Fato é que, se a pessoa respeitou o seu “não” e parou de fazer o que quer que seja que estivesse fazendo, não estará configurado o assédio.


Mas isso não quer dizer que você precise aturar aquele coleguinha que toda vez que te encontra te abraça como se estivesse se esfregando em você, nem que você precise escutar calada aquela piadinha sexista que te ofende. Nesse caso, deixe claro que você não concorda com aquela abordagem ou com aquele comentário. E não tem que ter medo de falar. Tenha certeza, sempre vai ter alguém falando que você está exagerando. Deixa falar e seja firme.

A figura feminina foi legalmente e culturalmente tão oprimida e por tanto tempo que é meio difícil mesmo quebrar esse paradigma agora. Mas as paqueras e as cantadas saudáveis são muito bem vindas sim, desde que sejam consentidas.


Vovó já dizia “o que um num quer, dois não fazem”. E se um fizer e o outro não quiser, assédio é.


Por Mariana Distéfano Ribeiro 

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In Cotidiano Feminismo

"Falar a verdade é a arma mais poderosa que a gente tem"


A repercussão que teve os protestos das atrizes no Globo de Ouro desse ano, dia 07/01/2018, foi mundial. As atrizes se vestiram de preto em protesto e aderiram à campanha Time's Up – (apoio às mulheres que falaram abertamente de abusos sofridos). Isso porque depois que a primeira atriz transformou público o abuso que sofreu por um produtor de filmes, várias atrizes também declararam ter sofrido abusos. e denunciaram com a #metoo (eu também) nas redes sociais. 



E todo o mundo está falando sobre isso. O que é ótimo! Tem que falar mesmo, tem que mostrar para todo mundo mesmo que o feminismo é só uma palavra diferente para busca por direitos iguais de fato e que os abusos são mais frequentes do que as pessoas pensam.

Essas coisas inspiram a gente. Porque toda mulher, toda, sem exceção, já passou por algum tipo de constrangimento, ou abuso, ou violência, ou desrespeito, mesmo que ela mesma não saiba.

Quem nunca ouviu um “fiu-fiu” quando andava na rua, um “ei gostosa”, um “ê lá em casa”? Tem mulher que gosta? Tem sim. Tem mulher que não gosta? Tem também. Só que esse “fiu-fiu” pode se transformar em um puxão pelo braço, ou em uma ejaculação no pescoço. O “ei gostosa” pode se transformar numa exigência violenta de transar. O “ê lá em casa” pode se converter em um estupro.

Símbolo da campanha

Então, se você gosta desse tipo de abordagem diga respeitosamente ao seu interlocutor: “senhor, muito obrigada pelo elogio, mas acho que o senhor não deveria abordar todas as mulheres dessa forma, porque muitas acham desrespeitoso e o senhor pode, inclusive, responder a um processo crime por estupro”.

Entendeu? Você recebe o seu elogio e ainda ajuda a educar os caras.

O que não pode é ser conivente com essa cultura do machismo. Porque a gente sabe que a linha que divide um elogio do tipo “ei gostosa” e o ato de forçar uma relação sexual é muito tênue. A gente tem que entender que o problema aqui é comportamental, é cultural. Não é um problema jurídico, ou científico, ou filosófico. É um paradigma cultural que tem que ser mudado, extinto.

E como disse a Oprah Winfrey no discurso dela no Globo de Ouro, “falar a verdade é a arma mais poderosa que a gente tem”. A gente não pode sentir vergonha de falar e nem precisa! Eu sei que quando a gente sofre um abuso dessa natureza, seja com violência ou não, seja físico ou não, a gente se sente suja, culpada e com vergonha dos outros e de si mesma. Mas não se intimide! Fale! Grite! De preferência ali, na hora! Diga a verdade, procure testemunhas, confronte o ofensor, busque ajuda de quem quer que seja. Só não fique calada se você se ofendeu.

Porque se você não demonstrar que aquilo que foi feito com você te ofendeu eles não vão saber que o que eles estão fazendo é errado! Os homens, na maioria das vezes, acham que as abordagens abusivas deles às mulheres não são abusivas, porque os avós deles faziam, os pais deles faziam, os coleguinhas da escola faziam. Sempre foi assim, mas não precisa ser assim para sempre.

Acontece que o corpo feminino é instintivamente atraente. Se tem vagina, bunda e peito todo mundo olha. Não adianta, é o instinto mais primitivo do ser humano que aflora – o da reprodução. Mas, não é por isso que a gente vai andar por aí de burca, né? Basta que você se expresse quando vir, ouvir, sofrer ou ver alguém sofrer qualquer tipo de abordagem abusiva.

As mulheres estão se sentindo mais à vontade para contar suas histórias, para expor suas versões, para dizerem o que sofreram. Porque as pessoas não discriminam mais uma mulher que foi violentada. Hoje em dia as pessoas simpatizam, solidarizam, as mulheres empoderam-se!

O mundo está mais empático às questões discriminatórias e os homens que desrespeitam as mulheres estão cada vez mais sendo forçados a enxergar os seus erros e respondendo por eles.


Como disse a amiga Oprah “o tempo deles acabou! ... Um novo dia está surgindo no horizonte e quando esse novo dia finalmente amanhecer será por causa de muitas mulheres magníficas, ... e de alguns homens muito fenomenais, lutando duro para assegurar que el@s se tornem @s líderes que vão nos levar a um tempo em que ninguém jamais precise dizer eu também de novo”.

Por Mariana Distefano Ribeiro

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In Cotidiano Feminismo

Vamos ser mais coerentes? – Versão estendida pró-aborto


Em primeiro lugar vamos entender alguns pontos técnicos importantíssimos para entender em que pé está a PEC 181, que, além de outras coisas, proíbe e torna crime o aborto em quaisquer casos. Sim, é isso mesmo, se você for estuprada e engravidar: se vira, vai ter que pedir pensão pro cara te estuprou. Se você tiver grávida de um feto anencéfalo ou com alguma deformação fatal: se vira, vai ter que ficar 9 meses cultivando um amontoado de células dentro de você que depois que sair do seu útero não vai ter vida.

A PEC 181 é um Projeto de Emenda à Constituição, de 2015 que surgiu com a intenção de estender o tempo da licença maternidade para mães que tiveram bebês prematuros. Isso é uma boa ideia, não é mesmo? Mas, foi nesse projeto que os Deputados da Câmara lá em Brasília fizeram uma manobra para enxertar a criminalização do aborto legal no texto da PEC 181. O aborto é legal em casos de estupro, de fetos anencéfalos e de risco de vida à mãe.

Pois é, o que foi aprovado, mas que ainda vai ser discutido no Plenário da Câmara, foi o texto todo da PEC, inclusive essa extensão do tempo da licença maternidade em casos de nascimentos prematuros, mas com o enxerto da criminalização do aborto porque estabelece, na Constituição, que a vida nasce desde a concepção. E isso quer dizer que se você tomar a pílula do dia seguinte você vai estar cometendo assassinato! Pior ainda: infanticídio!!!

Então vamos esclarecer algumas coisas aqui!

As pessoas têm que parar de endeusar o instituto da maternidade e o da infância. Tem gente que não leva nenhum jeito pra ser mãe. Tem gente que não gosta da personalidade do filho. Tem filho que não aceita a personalidade dos pais. Tem criança que é chata mesmo. E tem gente que não gosta de criança!

É tem gente que não gosta de criança e ainda assim não é adoradora do demônio.

Mas parece que existe uma autocracia da maternidade: se você é mãe tem que ser um exemplo de moral e bons costumes e isso quer dizer que você não tem mais direito de transar com qualquer outro homem que não seja o pai dos seus filhos, mesmo que esteja separada dele (e nem pense em ir para o lado negro da força e transar com uma mulher!); você tem a obrigação de idolatrar seu filho acima de todas as coisas, ao lado de Deus, é claro, porque você não pode ser qualquer outra coisa que não seja cristã; e o mais importante é que você tem que abrir mão da sua vida pra cuidar do seu filho.

Aliás, você nem deve dizer que a criança entrou na sua barriga porque você fez sexo com alguém com um pênis (shhh! Fale baixo!) diga que foi a cegonha, ou o boto! Assim ninguém vai imaginar você transando com o cara.

E nunca, nunca, nem que custe sua vida, nunca diga que você engravidou, mas não quer o filho e, se pudesse, a lei permitisse e você tivesse dinheiro para bancar uma clínica, você abortaria. Aí sim, você vai ser considerada uma sacerdotisa de satã que sacrifica fetos como oferenda ao diabo.

Então, ser uma mãe ruim porque você nunca quis ser mãe, criar uma criança por quem você não tem afeto, oriunda de um pinto que você não desejou, é sua obrigação porque você nasceu com uma vagina e um útero?

Não né, gente?!


Vamos ser mais coerentes?! Então vamos.

Por Maria Beira Rio

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In Cotidiano Feminismo

A barreira ao feminismo contemporâneo



Sabe que esses dias eu me dei conta de que a luta pela igualdade entre homens e mulheres hoje em dia é muito mais difícil que a luta travada antigamente, quando mulher não podia votar, não podia usar calça, não tinha direito a dispor de sua herança, não podia estudar (até hoje há lugares em que é proibido), era um ser que servia apenas para procriação (a criminalização do aborto pela Câmara dos Deputados não é mera coincidência).

Estranha essa afirmação, né? A luta feminista dos dias de hoje ser mais difícil que a luta de antigamente parece até falácia, mas vem comigo nesse raciocínio que eu te mostro o porquê.
Quando se tinha uma linha divisória bem definida entre a existência de um direito ao homem e a impossibilidade do exercício desse direito a uma mulher, ficava muito clara a injustiça. Vejamos o direito ao voto, por exemplo, um dos maiores marcos civis da vitória das mulheres por direitos iguais. A barreira era formal (perante a lei) e material (porque o próprio direito da mulher não existia).

Perguntamos: qual explicação jurídica, ontológica, antropológica ou até biológica que justifique o impedimento de uma mulher ao voto? Nenhuma né?! Ou o fato de ter uma vagina entre as pernas é uma justificativa pra você?

Outro exemplo é o direito de frequentar escolas e universidades. Até hoje existem regiões do mundo em que meninas não podem frequentar escolas e nem as mulheres podem frequentar universidades. A história da paquistanesa, ganhadora do prêmio Nobel da paz, Malala Yousafzai é um exemplo de ativismo pelos direitos humanos das mulheres e do acesso à educação no Paquistão.

Mais uma vez perguntamos: qual explicação jurídica, ontológica, antropológica ou até biológica que justifique o impedimento do acesso de uma mulher à educação, às escolas e universidades? Nenhuma né?! Ou o fato de ter uma vagina entre as pernas é uma justificativa pra você?

Mas hoje em dia, pelo menos juridicamente e civilmente, formal e materialmente (perante a lei e o direito), nas regiões do mundo em que impera o regime democrático de governo, existe a paridade de direitos entre homens e mulheres.

Então a barreira que tem que ser vencida aqui e agora é a barreira moral, filosófica, cultural, dos costumes. E isso é muito mais difícil de derrubar. É o preconceito velado, oculto, latente que a gente, que é mulher, vivencia todos os dias.

Percebeu que a barreira que limita o direito da mulher hoje em dia é cultural? Quando um homem se relaciona com várias mulheres solteiras ou casadas, sendo ele mesmo solteiro ou casado, o que as pessoas vão pensar dele? Que é um bon vivant, um dom juan, o pegador, no máximo vão falar que não vale nada. Mas ainda assim, ninguém vai desprezar um homem por pegar geral e não valer nada. Vão dar um tapinha nas costas, isso sim, e dizer: esse é meu garoto!

Agora considere uma mulher que se relaciona com vários homens solteiros ou casados, sendo ela mesma solteira ou casada, o que as pessoas vão pensar dela? Que é uma vadia, que é vagabunda, que não vale nada, que não serve para ser mãe e se for mãe é um mau exemplo para os filhos. E por aí vai, a lista de adjetivos pejorativos é longa. E com certeza vai ser desprezada por pegar geral e não valer nada. Vão dar um tapa na cara, isso sim, e dizer: sua puta!

Esse é só um exemplo de como a moral e bons costumes são relativizados dependendo de quem se trata, mas isso tem consequências indiretamente relacionadas à violência contra a mulher e a figura homossexual feminina.

Entre 1980 e 2013, 106.093 pessoas morreram apenas pela condição de serem mulheres¹. É uma média de quase 1 mulher por dia a cada ano! Sem falar nos casos que não entram nas estatísticas por não serem considerados violência à mulher por sua condição. Quanto aos homens? Esses não sofrem violência apenas pela condição de serem homens.

Percebeu agora? É matemático, é estatístico. E ainda tem gente que acha que feminismo é mimimi, que é vitimismo. A igualdade formal e a material existem. A igualdade fato ainda é utopia.


¹http://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2017-08/taxa-de-feminicidios-no-brasil-e-quinta-maior-do-mundo


Por Mariana Ribeiro 

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In beleza cinema Cultura Estilo Feminismo fotografia Música série twin peaks

Twin Peaks - O Retorno

Muito tem se falado sobre a volta da icônica serie dos anos 90s, Twin Peaks.

Seja porque a série é atualizada semanalmente no catalogo da popular Netflix, ou porque é o ultimo trabalho do diretor David Lynch (Blue Velvet, Eraserhead e tantos outros filmes),falasse, porém não se sabe se realmente será o fim da linha do diretor na sétima arte.


A atual temporada da série, intitulada de "Twin Peaks - Return", pouca ligação tem tido com as temporadas passadas que desvendavam o assassinato da popular garota de cidade pequena Laura Palmer e as aventuras psico freaks do Agente Cooper. 

A nova temporada tá mais pra uma odisseia visual e uma mesclagem de referências de tudo que o diretor já fez em filmes e nas temporadas passadas da mesma série.

É visível as referências aos filmes "Perfect Blue" e "Eraserhead". Os mais fanáticos pelo diretor não tem dificuldade em encontrá-las.



Outro ponto interessante da série é as participações de bandas alternativas em cada episódio no famoso bar "Road House", onde foi cenário de tantas brigas nas temporadas passadas, bandas como Nine Inch Nails, já deram as caras por lá, com uma atmosfera dark bem oitentista.


Quem começou a ver a série agora pode não está entendendo nada da historia, o porquê do Agente Cooper esta meio "lelé", por exemplo. E até mesmo estão confusos pela história nada linear, (confusão sempre foi marca registrada da serie), essa temporada deu banho até em quem acompanhava ahahah recomendo que assistam as temporadas passadas que infelizmente a Netflix não disponibilizou no site :\\\\ 



Porém, são facilmente encontradas na internet. Só assistindo as antigas pra entender a emoção de ver os personagens velhinhos, depois de 25 anos e o porque Laura Palmer e as mulheres maravilhosas dessa séries viraram algumas das maiores ícones de beleza da década noventista. E porque Twin Peaks é a cidade mais amada e com moradores mais excêntricos <3

Fica a dica do blog! A imagens que ilustram o texto são das garotas da série, porque sim!! :3

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In Cotidiano Feminismo

A linha tênue entre ter liberdade sexual e dar liberdade sexual


Sim, são coisas completamente diferentes, mas sempre confundidas. Há muito tempo mulheres tiveram que esconder seus desejos, por medo do julgamento social. Hoje, com um pouco mais de espaço para a sua voz, a mulher ainda sofre em se fazer entender nas questões sexuais.

A maioria das mulheres não sabia o que seria o prazer sexual. Seja por religião, cultura, entre outros fatores, o sexo era um tabu. Poucos dominavam a arte do prazer, e esses mesmos sempre tiveram o poder nas mãos (e em outras partes também).

Agora, com manifestações de liberdade de pensamento, podemos debater mais abertamente sobre assuntos voltados à sexualidade humana. O problema é que mesmo com toda tecnologia, com mudanças culturais, uma coisa ainda permanece arraigada no mundo: julgamento moral.

A vida e liberdade sexual ou não de uma pessoa, se mistura à sua vida social, assim dita o mundo desde que ele é mundo, mas este pensamento está longe de acompanhar os avanços que conseguimos em outros setores. 

Ainda é difícil ser mulher. A falta de respeito pelo indivíduo é completamente explícita quando a mulher assume o papel de que gosta de sexo, de ser sensual e que não tem receio de conversar sobre o assunto. Ela é julgada como fácil, como vulgar, como uma pessoa que deve ser marginalizada. Uma pessoa que "não é pra casar".

Nisso, o assédio, estupro, machismo, são vistos como resposta natural para "mulheres com esse tipo de pensamento/comportamento" e acaba sendo aceito e justificado. Se tornam até justos para os mais radicais. 

Um dos exemplos mais nítidos que passei um tempo vivendo, foi o assédio por sempre expor de forma livre questões como o sexo em redes sociais. Isso nada tem a ver em dar liberdade para que qualquer homem ache que tenha o direito de invadir a sua liberdade de escolha ou ser desrespeitoso. E tão pouco tem a ver com quantidade de parceiros, debater sobre assuntos como orgasmo, satisfação sexual e tudo mais.

"Mulher vulgar não precisa de respeito, pois não se dá o respeito", "Não dá pra casar com essas mulheres que vivem por aí bêbadas nas festas", "aquela mulher já ficou com todos os meus amigos, porque não vai ficar comigo também?"

E se eu der pra todo mundo e não quiser dar pra você, e aí? Você apenas se deu mal, mano. Aqui entra a liberdade de escolha, e muitos homens se acham no direito de ter sua vez com mulheres livres, porque elas são livres, mas não levam em consideração o direito de escolha delas e o respeito que devem ter com as decisões delas. 

Sei que isso faz com que muitas mulheres ainda escondam seus anseios sexuais e isso é ruim pra todo mundo, pra todo mundo que transa! Relacionamentos sadios são feitos quando as duas partes estão satisfeitas e não apenas uma. Aí vira sadismo. 

Que fique o pensamento para que homens sejam mais receptivos aos pensamentos e fantasias femininas, sem julgá-las fáceis ou vulgares, assim como mulheres também devem parar com esse julgamento. É coragem. São apenas pessoas que estão buscando o autoconhecimento e o prazer que isso proporciona.

Por Bruna Cereja, amapaense, publicitária, @grandeslabias

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In Cotidiano Feminismo

É para unir as manas ou fortalecer um determinado grupo?


Feminismo. Movimento em prol de nossos direitos. Tantas informações libertadoras, aliás, o feminismo realmente dá uma força incrível. 

Me senti mais eu, forte e ciente de quem sou. Para mim, este é um dos papéis principais dele. Ler, entender, ter informação também é necessário para não sair por aí c***** regra, dizendo que cada mulher tem que fazer, falar e pensar. 

Por falar nisso, de que adianta ler tantos livros e ter tanta informação e não ter a própria interpretação disso tudo? Pensar com a própria cabeça e achar o que está no livro é a "lei" do feminismo? Não parece contraditório? Adquirir conhecimento e entender sobre liberdade de pensamento, porém, se esforçar para ditar regras de como se encaixar? 

A temática é muito ampla, os entendimentos são inúmeros. Mas o que não dá para passar batido é notar que muitos movimentos feministas tem se unido unicamente em prol de julgar, apontar o dedo na cara de outras mulheres. Estas mesmas moças, engajadas, intelectualizadas, com livros incríveis em mãos, pregando a ditadura de como ser feminista e o que cada mulher deve fazer. 

Não era isso? Será mesmo? Se você se reúne com as manas para dizer que fulana ou ciclana está agindo em desfavor do movimento e começa a criar uma rede de intrigas e indiretas nas redes sociais, não é ser ditadora de regras? Dizer também que, se uma mulher não concorda com a metodologia do seu grupo, não seria uma opressão?  Pense bem. 

Colocar em prática o movimento é, acima de tudo, plantar aquela semente, mesmo que seja o benefício da dúvida em mentes que ainda estão tomadas por anos e anos de informação patriarcal. Não é fácil. 

Falar de sororidade e não colocar em prática é uma linha tênue entre a falta de empatia e falta de respeito, afinal, de qual aliança estamos realmente falando? Aliança de respeito ou a intenção é fazer um grupo de mulheres pensar da mesma forma e se alguma não se encaixar nisso, deixa-la de fora? 

Texto inspirado em conversas e relatos de amigas que pensam diferente e são feministas 

Fica a reflexão. 

Ao lhe ensinar opressão, tome cuidado para não transformar os oprimidos em santos. A santidade não é pré-requisito da dignidade. Pessoas más e desonestas continuam seres humanos e continuam a merecer dignidade. - Chimamanda Ngozi Adichie

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In Cotidiano Feminismo

Todo mundo pode ser vadia




A primeira vez que ouvi a música “Todo dia”, do Pabllo Vittar, foi durante o carnaval desse ano,
quando ele cantou em cima de um trio com a Daniela Mercury. Eu não sou muito fã da Daniela Mercury, então já estava pra mudar de canal quando ouvi o refrão: “eu não espero o carnaval chegar pra ser vadia. Sou todo dia! Sou todo dia!”. Me chamou a atenção, não pelo fato de ser uma drag queen (belíssima aliás) cantando em cima de um trio com a Daniela Mercury, mas pelo fato de quebrar um tabu sobre um conceito comportamental do qual eu sempre discordei – a taxação de mulheres como vadias.

Na verdade, esse conceito de o que é comportamento padrão para uma mulher e o que é comportamento padrão para um homem nunca foi assimilado pela minha mente. A gente, que é mulher, cresce ouvindo coisas do tipo: não brinque correndo, você é uma menina; você não pode arrotar, você é uma mocinha; você não pode falar palavrão porque você é uma mocinha; você não pode sair com vários homens porque você é menina se não vai ser taxada de vadia.

Isso sempre me pareceu uma falácia. Qual é a diferença entre o comportamento de uma mulher e de um homem? Não tem diferença! Não deve ter! E pra mim não tem. Então vamos abrir mente e expandir o conceito semântico da palavra vadia.

O adjetivo vadia não deve ser utilizado com sentido pejorativo. Muito pelo contrário! Vadia é aquela pessoa segura de si, autoconfiante, que conhece seus medos, seus defeitos, suas qualidades e as explora de forma liberal, sem preconceito e sem culpa. A vadia sabe o que quer porque não tenta se esconder atrás de estereótipos enfiados goela abaixo. A vadia conhece muito bem seus princípios e não se deixa levar por ondas extemporâneas de modismos comportamentais.

A vadia age de acordo com sua própria consciência, sem se prender aos fuxicos, ao que outras pessoas podem pensar e sem qualquer preocupação com sua imagem perante a sociedade.
Porque a imagem que interessa mesmo é a que a vadia tem de si mesma. Afinal, o que é mais importante do que a gente se olhar no espelho e enxergar alguém a quem se admira?

Vadia é gente que não tem vergonha. E não ter vergonha é tão libertador! É bom quando a gente pode ir onde a gente quer ir, vestindo o que a gente quiser vestir, e falando o que a gente achar que tem que falar. A vergonha tolhe primeiro as ações, depois as palavras, e aos pouquinhos vai tolhendo a vida. A gente tem é que ser sem vergonha mesmo! E as vadias não têm medo de não ter vergonha!

Aliás, a palavra vadia devia ser mesmo um termo unissex, sem gênero, que nem alface ou jacaré. Um adjetivo assim, que expressa confiança, liberdade, ausência de preconceito, autonomia de vontade, não devia estar vinculado a um único gênero.

Porque se ser vadia é ser livre pra escolher o que quer, como quer e onde quer, eu também sou vadia e desejo que todo mundo seja vadia também.

Tem 33 anos, é casada, bacharel em Direito, servidora pública, ama cachorrinhos e gatinhos e adora tudo e todos que carreguem consigo o brilho de uma vibe positiva

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